TERTÚLIA BISTRO & BAR 2018-01-26T09:58:50+00:00

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Esta história começa com o Ernesto Tavares, saxofonista dos famosos Irmãos Tavares, também conhecidos, durante a década de sessenta, como os “Beatles da Gafanha da Nazaré”. Uma figura querida dos aveirenses que, ao longo de trinta anos, deu de comer a estudantes, turistas, cagaréus e ceboleiros, algumas generosas dezenas, se não centenas, de milhares de tripas de Aveiro. Foi em 1975 que se apaixonou pelo grande amor da sua vida, a bela Maria Margarida da Beira Mar, da família dos ourives Vilar que vendiam, desde o início do século XX, ouro, prata e relógios na rua José Estêvão, na Ourivesaria Vilar, entretanto vendida e conhecida nos dias de hoje pelo nome de Ourivesaria Certa. Tiveram dois filhos, a Dulcineia e o João, nascidos e criados em Aveiro, entre as sonoridades do jazz e blues, do lado do pai, e as artes decorativas, a par com a cozinha, do lado da mãe.


Um dos edifícios da família Vilar, no Largo da Apresentação, era uma antiga cavalariça da Guarda Municipal, construída na segunda metade do século XIX com pedras da muralha, passando para a Guarda Nacional Republicana após a mudança de regime. Contam-nos os anciãos de Aveiro que durante o Estado Novo, ouviam-se dos confins da cavalariça gritos de tortura dos interrogatórios conduzidos pela Pide, aproveitando as instalações e equipamento da Guarda para o efeito, nomeadamente o conveniente piano, que a alto e bom som, lá abafava, em parte, as vozes da agonia. Adquirido no início da década de sessenta, o edifício foi então alugado ao Sr. Lúcio, estofador que manteve nesse local atividade durante meio-século, até 2013, ano em que faleceu, coincidindo com um conjunto de circunstâncias que levariam a família Vilar Tavares a abrir as portas do Tertúlia Bistro.


Poucos anos antes, em 2008, a família Vilar Tavares tinha aberto o Restaurante Tertúlia, na Golegã, especializado em comida tradicional portuguesa e conhecido pela aclamada Açorda à Tertúlia. Entretanto, aquando do falecimento do Sr. Lúcio, o estofador, surgiu a oportunidade de constituir no espaço liberto, um negócio. Aliando a disponibilidade do filho mais novo, João Ernesto, formado em tecnologias da informação, ao saber-fazer dos pais, com anos de experiência no ramo hoteleiro, a família decidiu voltar a Aveiro com um conceito adequado à atratividade turística do Largo da Apresentação. “Porque não apostar em algo virado para a hotelaria?” disse um dia o João, enquanto a família se encontrava toda reunida, pondo de imediato mãos à obra, transformando uma antiga cavalariça de um edifício histórico, convertida em oficina de estofagem, num conceito de restauração inovador, que tem a “família” como pilar e essência — O Tertúlia Bistrot. O nome alude ao Bistrot Parisiense, que como nos conta o João Ernesto, eram casas particulares que abriam as portas em tempo de guerra para servir refeições aos soldados famintos.


As paredes centenárias do Tertúlia Bistro, com sessenta centímetros de espessura, como era norma nos edifícios militares, encontram-se despidas, revelando a autenticidade da construção novecentista que foi habilmente conservada pelas mãos dos seus fundadores. Juntaram-se ao adobe diversas amuradas brancas minimais, conferindo ao espaço um apelo contemporâneo, temperado com elementos de arte nova, como as portas envidraçadas atrás do balcão principal. Da cozinha, sentem-se os cheiros tradicionais, aprimorados pela família e caracterizados com nomes inusitados, como Ti Guida e Ti Nesto, numa carinhosa referência aos pais Margarida e Ernesto, respetivamente. Do outro lado, vindo da direção do Largo da Apresentação, mesclam-se os cheiros de um dos mais típicos doces de Aveiro, a Tripa, preparada por quem melhor sabe, o próprio pai Ernesto Tavares, ao comando das chapas, na soleira da entrada.


Contamos a história de um espaço de tertúlias, com boa petiscada, familiar e acolhedor, mas também sofisticado e boémio, de onde sobressaem as figuras principais e angulares do conceito, os anfitriões da casa, personificados na família Tavares Vilar. Uma casa que faz juz à memória da mãe Maria Margarida, num ato de eterna gratidão, protagonizado pelo pai Ernesto e os filhos Dulcineia e João Ernesto, num gesto do mais puro sentimento, tendo o amor por guia, para “abrir as portas do próprio lar”.


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Contactos

Morada

Largo da Apresentação, nº23 r/c
3800-106 Aveiro
Portugal
Telemóvel: +351 916 524 088

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Seg. Encerrado
Ter. a Sáb. 12:00 às 22:00
Dom. 12:00 às 16:00

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