Índigo Paper Lab
— desde 2016 —

Abre-se pela quinta vez um ficheiro com a planta do edifício. Uma notificação de email recebido continua, incessantemente, a pedir atenção. O zumbir constante da impressora pára repentinamente e surge no ecrã o aviso de troca de toner. O dia está quase terminado, só falta aguardar o envio do render final. Ana Maio pousa o rato, provavelmente de vez.

Numa infância dividida entre o burburinho da cidade e a casa dos avós, Ana vivenciou o ritual das lides do campo e conviveu com bicharada de todo tipo. Ganhou, no fundo, raízes com a terra que a viu nascer. A sua apetência natural para as áreas criativas encontrou um eco nos contos e fábulas que a maravilhavam e a faziam sonhar. A música foi também uma paixão, que fez questão de incluir na sua tese de final do curso de arquitectura.

A Universidade do Porto formou-a para o domínio implacável do rigor técnico e legal, mas também para a sensibilidade da arte e a profunda admiração pela humanidade das coisas simples. Quando ingressou no mundo profissional, notou que esta segunda faceta da arquitectura era gradualmente engolida por um mundo digital distante, uma barreira entre o homem e o meio. Sentia falta do lado mais prático, operacional e criativo no gabinete, de entrar nas papelarias técnicas e ver a organização meticulosa do papel por gramagens e texturas, da azáfama, o pó e as alturas de um estaleiro de obra, de trocar impressões com pedreiros, carpinteiros, estucadores, pessoas que no fundo encerram uma sabedoria quase ancestral do saber-fazer manual. Por outro lado, numa sociedade excessivamente preocupada com a perfeição e a homogeneização, perdem-se os importantes aspetos humanos das coisas. Para Ana é fundamental saber o propósito de uma obra, a história de um local e a minúcia dos pormenores que não cabem em horários constritivos de eficácia.

Optou, então, por outro caminho que lhe permitisse explorar a sua criatividade e começou a delinear, em 2016, o conceito que viria a transformar-se na Índigo Paper Lab. Os ramos florais em papel e encadernações encabeçaram os primeiros projetos e, em 2017, ganhou a bolsa do concurso de ideias ‘Empreender na Tradição Lusa’. Foi uma experiência gratificante que fazia uma ponte com a cultura, identidade, património e saber fazer que sempre prezou, e que a colocou em contacto com inúmeras mentes criativas, nas mais diversas áreas. Todos tinham objetivo comum - fazer do artesanato uma forma de vida, baseada na inovação de processos e linguagem e não apenas uma atividade secundária, assim como desmistificarem a ideia de artesanato como algo desactualizado e estático, ou relegado à produção de peças sem utilidade prática.

O projeto Índigo Paper Lab começou com os belíssimos arranjos florais de Ana, mas não se ficou por aí. Numa tentativa de expandir o seu universo criativo, debruçou-se ainda sobre Origami e Papercraft. Ao olhar para as formas orgânicas dos arranjos florais e a funcionalidade angular das peças em Papercraft é impossível não nos apercebemos de uma certa dicotomia, que no seu todo, revela o talento e flexibilidade da sua criadora. Para replicar flores, desmancha-as pétala a pétala a fim de melhor atingir a forma final desejada e os materiais mais rígidos com que trabalha garantem-lhes substancial longevidade. Cada criação de Ana é única, fruto de muito trabalho, experimentação e dedicação. O seu olhar atento recai também sobre preocupações ambientais, sendo que reaproveita até as mais pequenas aparas de papel para um retoque num arranjo ou um enchimento de uma peça. Por enquanto as vendas são feitas através de um site e de redes sociais, mas Ana almeja ter uma loja física que lhe traga uma maior proximidade aos seus clientes. A partilha de conhecimento e criação de sinergias com outros criativos também lhe agrada e portanto, não põe de parte a possibilidade de workshops e formações.

O nome e logo da sua marca são um reflexo do que Ana valoriza, numa sociedade cada vez mais acelerada: a capacidade de apreciar os momentos fugazes no meio do Caos. Nascida e criada em Aveiro, sente uma afinidade com as andorinhas, cujas migrações ecoam no saudosismo português. Quando o céu, ao escurecer, adquire uma tonalidade índigo, gosta de parar um pouco e observar estas aves traquinas no seu frenesim de apanhar mosquitos, completamente alheias ao caos citadino e usufruindo de uma liberdade com que apenas podemos sonhar.

Ana, por sua vez, continua também a sonhar... e a criar.
Visite a Indigo Paper Lab e dê forma às suas emoções.  
Indigo Paper Lab

 

2018-12-26T14:51:10+00:00