Autocarro Bar
— desde 1988 —

Gosta de conviver em espaços originais? Então, tem de vir conhecer-nos!
Contar a história desta casa é contar um pouco da história de um jovem que, em 1988, decidiu fazer algo inédito na cidade de Aveiro: a criação de um local que aliasse as funções de bar e restaurante de refeições rápidas. Inédito, porque em Aveiro do antigamente, além de snack bares com pregos no prato, não existia grande diversidade no setor da restauração direcionado para a população mais jovem, nem tão pouco um bar no verdadeiro sentido da palavra. E bem que necessitava! Aveiro tinha um enorme campus universitário, em constante crescimento, que recebia com cada vez maior frequência, mais estudantes. Todavia, a maior surpresa não seria essa, mas sim o que o jovem empreendedor decidiu usar para dar vida ao seu estabelecimento, algo certamente muito único, ou não estivéssemos a contar a história do Autocarro Bar.

Guilhermino Figueiredo, sempre teve uma paixão pela restauração. Nas suas muitas viagens por essa Europa fora durante a sua juventude, foi conhecendo outras realidades nesta área, nomeadamente em Espanha, em que os pratos combinados, pizzas e hamburgers que saiam a grande velocidade para acompanhar as pressas da vida moderna, lhe pareceram uma definitiva lacuna em Portugal. Certo dia, ao chegar de Espanha, pôs-se à conversa com um amigo e desse diálogo surgiu a ideia de criar um bar dentro de um autocarro. Esteve em Lisboa um ano, a 'marinar' o conceito e acabou por encontrar, na Carris, o veículo perfeito para as suas ambições inovadoras: um double decker, que foi pintado de cinza e rosa pelo arquitecto Sardo, para agarrar bem as cores da época de 80. Este projeto inovador foi apoiado pela câmara, por se instalar num largo perto do campus universitário que se encontrava ao abandono e atraía, por conseguinte, os aspetos menos positivos de uma urbe. As luzes noturnas do estabelecimento vieram, desta forma, rasgar o breu para alegrar a noite aveirense e reavivar esta parte morta da cidade.

Inicialmente, o Autocarro Bar era precisamente só isso: um autocarro. No 'rés-do-chão' estava o balcão e a cozinha, e no primeiro andar as mesas. As refeições subiam através de um pequeno elevador. O pequeno espaço rapidamente ganhou fama, com inúmeros estudantes a quererem conhecer o espaço, assim como tantos outros aveirenses curiosos. Figueiredo, porém, não procurava apenas o fator 'novidade'. Estava preparado para cativar a sua clientela com inúmeros eventos que, hoje em dia, fazem parte da história do mítico bar e que continuam a acontecer com regularidade. Quem queria ouvir boa música, dançar ou simplesmente encontrar-se com os amigos, ia ao Autocarro Bar. Muitos se lembram de a meio de uma festa serem interrompidos pelo barman para uma celebração conjunta: o shot pipeta. Paragem obrigatória, fosse à tarde, início ou final de noite, o Autocarro não deixava ninguèm indiferente, na cidade de Aveiro. Toda a gente lá ia...e continua a ir!
Figueiredo, ainda relembra com saudade a noite em que um dos melhores saxofonistas portugueses, Fernando Valente, acompanhado pelo grupo quarteto de saxofones de Amesterdão deu um espetáculo memorável... Nos seus 32 anos de experiência confessa-nos que o mais difícil não é abrir um estabelecimento, mas sim mantê-lo e, felizmente, soube preservar e edificar um dos locais mais queridos entre a população aveirense.

Face a esta perspetiva de evolução seria, então, impensável estagnar. No virar do século, o Autocarro Bar expandiu-se, sendo-lhe adicionado um salão e esplanada. E dizemos expansão, porque o velhinho double decker continuou a exercer a sua invulgar função. Integrou-se perfeitamente no espaço e o rés-do-chão passou a ser um espaço com mesas, ao passo que o primeiro andar foi adaptado a escritório. No seu interior podemos ver fotografias que certamente serão nostálgicas para quem frequenta o Autocarro Bar desde sempre. Tanto pela inovação, como pela história, muita tinta já correu sobre este negócio. A título de exemplo temos o artigo da ‘rotas e destinos’, que mencionou o Autocarro Bar como um dos quatro locais que definiam a cidade de Aveiro. Já o Record indicou-o como sítio de paragem obrigatório durante o mundial. Para Figueiredo o feedback positivo é um motivo de orgulho, mas impele-o também a continuar a zelar pelo bom funcionamento do seu estabelecimento.

Este é, no fundo um negócio que se cruza com a vida de muitos aveirenses, sejam eles estudantes ou não. Nas palavras de Figueiredo, o Autocarro atravessa gerações e continua a ter clientes dos 20 aos 80 anos.
Apesar do veículo que deu nome à casa continuar a ter as rodas em perfeitas condições, não irá a lado algum, pois estará eternamente agarrado à cidade em que estacionou.
O autocarro é nosso e há-de ser...e de todos aqueles que cá vierem ter.
Venha você também ‘dar um passeio’ no Autocarro que é um bar!  
Autocarro Bar

 

2018-11-05T10:39:59+00:00