Pizzarte
— desde 1987 —

25 de Abril de 1987, a data de inauguração da Pizzarte, localizada na Rua Eng.º Von Haff, 27, R/C, em Aveiro, guarda uma curiosidade interessante. O dia da revolução portuguesa, eternamente associado à liberdade, é também sinónimo de liberdade para João Castelhano e Jorge Castelhano, dois dos seus proprietários. Na sua juventude, trabalhavam nas férias para ter fundo de maneio e, à medida que a idade adulta se aproximava, começaram a sonhar com a possibilidade de terem um bar em Aveiro. Como tantos outros jovens nessa idade, queriam independência financeira para um novo capítulo nas suas vidas, portanto, findo o serviço militar obrigatório, estenderam a mão para o pai, na esperança de obter financiamento para a sua ideia. Foi imediatamente negado. O pai sabia que ter um bar exigia dedicação e profissionalismo, enfim, não era só 'tirar cafés'. Concordou com o empréstimo, apenas se João e Jorge se formassem na área e assim foi que ambos ingressaram, em 1983, no curso de hotelaria da escola Vidago no Porto, onde desenvolveram a componente teórica e aplicaram a prática. Jorge esteve, de seguida, dois anos no regime de internato no hotel Vidago.

Os dois irmãos regressam a terras aveirenses, cheios de fulgor e vontade, apenas para lhes ver a porta barrada mais uma vez. Desta vez, o pai aconselhava experiência para poderem erguer com confiança, o estabelecimento pretendido. Jorge e João começaram a perceber que teriam de 'se fazer à vida' e lá foram eles, de malas e bagagens para o Porto e depois Algarve, com o intuito de perceber, em contexto profissional, o que era então este animal complicado chamado restauração. As boas notícias, por vezes, chegam quando não as esperamos, neste caso, na forma de um telefonema por parte do pai. Do auscultador vinha um discurso surpreendente, que prontificava o tal empréstimo. Jorge e João regressaram à terra natal e a sua ideia de bar continuava com a mesma força, até porque, em Aveiro, não havia propriamente bares, apenas cafés como os míticos café Palácio, Convívio e Gato Preto. Claro que o pai, sendo comissário da polícia em Aveiro, antecipou os óbvios problemas de um estabelecimento cujo funcionamento se estenderia pela noite dentro. Os irmãos tiveram de puxar pela imaginação e conceberam o conceito (este sim, aceite pelo pai) de uma pizzaria com um toque de modernidade, mas antes de mergulharmos no percurso da Pizzarte, convém mencionar que Jorge, agora com anos de experiência em restauração, percebe perfeitamente a rigidez de seu pai, que o preparou para uma área exigente e trabalhosa.

Conseguiram um interessante arranjo do espaço, tão interessante que ainda agora Jorge se pergunta se os clientes apreciam mais a decoração ou as pizzas. O nome foi alvo de muita discussão, contudo, quando chegaram a 'Pizzarte', chegaram também a um consenso imediato. Em 1987, a pizza ainda não era vista como 'comida a sério' por uma boa parte da população. Por outro lado, a decoração de um qualquer estabelecimento era normalmente efetuada pelos próprios proprietários, com resultados variáveis. Jorge e João correram, portanto, riscos. O risco de abrir um negócio pioneiro no que se propunha fazer e o risco de efetuar um investimento substancial em decoração. Por vezes, o risco compensa. A comunidade artística aveirense adorou imediatamente o conceito, enchendo a casa de pedidos, celeuma e as ocasionais exposições de escultura ou pintura. Como Jorge diz, 'a desconfiança sobre a pizza desaparece assim que a provamos' e eventualmente a Pizzarte passou não só a ser aceite, como também a ser vista como um dos melhores restaurantes de Aveiro.

Hoje em dia, Jorge e João são também proprietários do Centenário, juntamente com um terceiro sócio, e repartem os esforços entre os estabelecimentos, sendo Jorge quem ficou mais presente na Pizzarte. A casa tem exclusividade de entregas com o NoMenu e já prepara obras para facilitar os despachos e take away, que se expandiram para o local ao lado, onde anos antes estavam os móveis Von Haff. Não faltará certamente queijo derretido e massa estaladiça a nenhum aveirense. E por falar em massa, falemos das pizzas. Variadas e confeccionadas por mãos experientes, não podemos deixar de salientar o Calzone, a Havaiana, a 4 estações e, claro está, a Pizzarte...

Par-a-par com a excelência das pizzas, está a simpatia e o profissionalismo do staff, sempre repletos daquele espírito jovem que definiu a casa desde a sua incepção. Para melhor se perceber o ar que se respira na casa, basta referir que quem já não trabalha na Pizzarte, continua a frequentá-la. Jorge assegura que 'as casas são o reflexo de quem as cria' e será provavelmente esse reflexo que criou um ambiente informal e de convívio. A Pizzarte é um ponto de encontro por excelência e o público de gravata mistura-se com o de brincos sem qualquer tipo de problema ou preconceito.

Assim se apresenta esta famosa pizzaria, apesar de dispensar apresentações. Longe estão os dias em que a rua onde se encontra, não era mais que um local escuro e desconhecido e em que se trabalhava com a calça preta e a camisa branca… Mas esta história não acaba aqui, porque a Pizzarte tem os olhos postos no futuro, procurando sempre a Pizza e o ambiente ideal.

Será que o segredo está mesmo só na massa?  
Pizzarte

 

2018-08-23T13:46:34+00:00