Restaurante Palhuça
— desde 1985 —

Não será injusto dizer que o Palhuça já tem, desde a sua abertura pela mão de António Leal em 1985, uma rica história para contar. Não seria injusto, mas também não seria completamente correto. A verdade é que a abertura do Palhuça original encontra-se perdida nos anais da história aveirense. António deu sim, continuidade ao negócio da rua Antónia Rodrigues, nº 28, que se encontrava já em declínio e revitalizou-o para se tornar a famosa casa que é hoje.

Todavia, antes de perceber a mudança por si efetuada, convém conhecer também o seu percurso. Originário do distrito de Viseu, António veio para Aveiro à procura de uma vida melhor. O seu irmão, José Leal, ofereceu-lhe guarida e a possibilidade de procurar um emprego. O primeiro pousio foi precisamente o local onde o irmão trabalhava, a cervejaria Rossio, onde em dez anos adquiriu valiosas experiências e saber-fazer. O seu talento para a cozinha e a vontade de ter um negócio que pudesse chamar de seu, levou-o, de seguida, a inaugurar o Púcaro com a sua esposa e um sócio, casa essa famosa pela arte de rodar o frango sob a brasa.

Contudo, as oportunidades, por vezes, surgem quando menos estamos à espera e para António a oportunidade surgiu literalmente debaixo de seus pés. Acontece que vivia por cima do restaurante o Palhuça e apercebeu-se que o dono tinha vontade de reclamar o merecido descanso. Lançou-se com a esposa nesta nova aventura, a quinze de Abril de 1985, e mais tarde viria a juntar-se a eles o filho, Luís Filipe. Segundo António, o funcionamento da casa tem sido constante, o que se tem alterado é o próprio panorama aveirense. Nos primeiros anos, a casa tinha os seus clientes habituais, alguns dos quais do Púcaro, mas foi necessário muito trabalho e dedicação para manter o negócio "à tona".

Hoje em dia o restaurante já goza de uma certa reputação e os turistas, nacionais e internacionais, afluem como taínhas a migalhas de pão na ria, o que não quer dizer que a qualidade seja descurada. As receitas que trouxeram fama à casa, como a conhecida caldeirada de enguias, continuam iguais, porque afinal de contas, se não está estragado, não se deve tentar arranjar. António, à excepção de mais umas rugas, também é a mesma pessoa de sempre, que estende a mão com a mesma amizade e simplicidade a toda a sua clientela. Aliás, quem frequenta o estabelecimento sabe certamente que até os empregados são os mesmos desde 1985. Nota especial para a esposa, Maria Gorete, cozinheira de renome, reconhecida no livro "Gastronomia Aveirense" por manter imaculada a alma culinária de Aveiro e providenciar o seu contributo com a trapalhada, doce muito procurado no restaurante.

Com todos estes argumentos é difícil não ficar intrigado com a fama desta casa. Por vezes é bom ser curioso...entre e descubra os sabores simples da vida!  
Palhuça

 

2018-07-31T15:32:48+00:00