Pá d’ouro
— desde 2004 —

PA DOURO · AVEIRO NOSSO

O Alvará 2176 esconde um segredo bem guardado dos cagaréus da Beira Mar. Na porta 5 da Rua do Gravito, a poucos metros da Escola e da Junta, resguarda-se da persistente nortada uma discreta esplanada na mais pura tradição bairrista aveirense. No interior da loja, o encantador ambiente familiar faz jus ao doce aroma do pão quente, confecionado pela mão experiente de David Oliveira, padeiro originário da terra de Vigia, na freguesia de Santo André de Vagos.

Com apenas doze anos, o jovem David já trabalhava como servente de obra, a quarenta escudos à hora, desbravando os segredos da massa do pedreiro, que viria a trocar por outra, alguns anos mais tarde, a umas muitas e distantes milhas náuticas. As dezassete primaveras de David levaram-no para o outro lado do Atlântico, para as terras quentes da Venezuela, onde não perdeu tempo em pôr as mãos à obra, trocando de massa para se tornar padeiro e da farinha fazer o pão.

Tanto jeito tinha que com vinte anos já geria padaria própria e pouco tempo depois uma churrascaria. De vento em popa, lá voltava ano sim, ano não a Portugal. Mas foi em 1985 que a travessia do Atlântico o trouxe de volta à casa familiar, por entre as magníficas casas gandarenses na ribeira do Rio Boco, a um momento chave da sua vida, mais precisamente no terceiro domingo de Setembro, nas festas de Vigia da Nossa Senhora das Dores.

Ao longe, descendo a Rua da Capela, seguia a procissão com a imagem da Nossa Senhora ferida no coração por sete espadas. Por entre a romaria passava a amiga de infância de David, a Lurdes, também ela de Vigia. Sentimentos antigos brotaram e nesse mesmo dia disse-lhe o David ao ouvido — “Casas comigo?” Ambos riram e de sorriso nos lábios fez-se ouvir a resposta —“Se é para casar casemos, que namorar não sabemos”. Assim foi e seguiram já casados para a Venezuela onde deram início a um novo capítulo, do qual nasceriam duas lindas filhas, a Lisbete e a Mariana.

A vida na Venezuela foi dura. Passaram-se assim mais dez anos de luta, entre fraldas e biberões, massas e fornos, caixas e sacolas, todos os dias, noite e de dia. Conta o David que não havia lugar para mesas ou cadeiras na padaria de tão cheia que ficava. Da madrugada, noite dentro, saiam sacas às centenas, recheadas das mais apetecíveis padas e carcaças da região.

Finalmente, em 1995, a família Simões regressa às terras da família. Sem perda de tempo criaram logo novo negócio. O primeiro estabelecimento foi na Vagueira, ao qual se seguiu, em 2001, a Pastelaria Liceu. Finalmente, em 2004, os Oliveira adquiriram a Pá D’Ouro que mantém aos dias de hoje. Um espaço que serve a comunidade da Beira Mar de Aveiro e ao qual se dedicam exclusivamente.

Do forno da Pá D’Ouro sai pão quente de duas em duas horas, com a primeira fornada logo às sete da manhã. Às quartas-feiras reinam as deliciosas arepas de frango, atum ou carne picada. Cada dia da semana tem a sua sopa, bem cozida e bem servida, para satisfação dos apressados cagaréus na hora do almoço. Mas ainda há mais! A broa, os bolos, as bifanas, os hambúrgueres …

Sabores, simpatia, amizade, alegria e boa disposição numa mistura que só quem frequenta pode compreender, como comprovam os clientes bairristas e os fervorosos adeptos da esplanada mais caseira de Aveiro, bem apetrechada na calçada que cruza as ruas do Gravito com a Guilherme Gomes Fernandes.

VISITE A LOJA

2017-11-19T14:25:16+00:00