Praia Costa Nova
— desde 1945 —

PRAIA COSTA NOVA · AVEIRO NOSSO

Ao passarmos pelo Rossio, a escassos metros da entrada do Canal Central, paira sobre as águas calmas e tépidas da ria a lancha “Praia da Costa Nova”, uma embarcação fechada de linhas sutis e cores garridas, com uma cabine externa de pilotagem de formato diminuto e afilado, que proporciona vista ampla sobre a Foz do Vouga.

Construída e lançada em 1945 pela Empresa de Transporte da Ria de Aveiro no Estaleiro de São Jacinto, foi passada para a Câmara Municipal de Aveiro em inícios de 90, altura em que foi levada a terra para abate. Durante quase meio-século, a lancha transportou milhares de passageiros, militares da Base Aérea de São Jacinto, operários do estaleiro e habitantes das Gafanhas, servindo os mais diversos propósitos e situações do dia-a-dia.

O Gustavo tinha apenas 10 anos a primeira vez que navegou na “ Lancha Praia da Costa Nova”, de mãos no leme na minúscula cabine de pilotagem, rumo às salinas na saída das pirâmides. Três décadas depois, reparou na embarcação abandonada e decidiu devolver a glória à famosa lancha que chegou a participar em missões de salvamento e resistiu à violenta rebentação da Barra, e que como nos conta, “Por vezes ficava tão cheia que mais parecia um submarino.”

Dizia-se que a embarcação não tinha recuperação possível. No entanto, a quilha e as cavernas mantinham-se fortes, e o casco suportou o reboque a alta velocidade para a Marina do Clube da Gafanha, onde foi descascado e chapeado a cobre por um carpinteiro naval, que curiosamente se recorda ter visto o avô o realizar o chapeamento original. Desde 2015 que a lancha, totalmente recuperada, proporciona as mais variadas experiências ao longo da Ria, da Vagueira até Ovar, sendo a única embarcação da região com certificação da academia europeia de museus e da fundação Luigi Micheletti.

Reza a história que uma grande senhora da Beira-Mar chorou ao pôr o pé no convés da lancha murmurando, em jeito de reza, “que aqui conheci o amor da minha vida, aqui entrei de branco, daqui voltei de negro”. Uma das muitas histórias que reflete as memórias das quatro gerações de aveirenses que viveram o dia-a-dia nesta e nas outras quatro lanchas que faziam diariamente o trajeto Vagueira — São Jacinto.

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2017-11-30T16:10:14+00:00